Assista e Conheça um pouco de como me tornei uma zeladora espiritual através da herança do meu avô.
Apesar do sincretismo religioso que existe no Brasil, pouco se sabe sobre os Orixás. A mitologia, o que representam e até mesmo quantos são. Mesmo para quem não é espiritualista, pode ter curiosidade em saber mais sobre esses “santos”. E, para quem é, sempre há novas visões que podem ser abordadas. Pensando nisso, a orientadora espiritual Paula Omin, baiana radicada em São Paulo, montou um ciclo de palestras para que se tenha mais acesso a este conhecimento.
Espiritualista desde o berço – o avô era conhecido no sul da Bahia como João Curandeiro – Paula é a Yarê do Abasá Inté Ifé O Ebi, onde se dedica a divulgar a filosofia do candomblé. Desde 1999, ela é o pilar material do grupo que estuda As Energias Cósmicas e o Ego.
Criou o Tarô Alamojú - que aguarda publicação – em parceria com o marido, Marco Obaodun, composto por 23 arcanos maiores que representam os orixás que comandam o Brasil e 56 arcanos menores, que representam as situações cotidianas. Com o tarô há ainda um livro com as explicações de cada lâmina.
Escreveu o romance A lenda da criação do Orún e Aiyê - que aguarda publicação – no qual narra lendas de formação do mundo, desde a criação do universo até o recolhimento dos orixás da terra. Paula está nas redes sociais com youtube, facebook, twitter e instagram, compartilhando os conhecimentos de temas de relevância para todos.
Exemplos de Palestras Oferecidas:
Quando criança, eu me sentia diferente das outras, pois, às vezes, nos lugares aonde eu ia, mesmo que houvesse uma só pessoa na casa, logo eu percebia a presença de outra(s) que conversava(m) somente comigo, diante disso eu lhe(s) perguntava por que não falava com os outros, respondia(m)-me que só eu podia vê-lo(s). Muitas vezes, a noite na hora de dormir, eu via pessoas me olhando e falava pra minha mãe, que me mandava ajoelha e rezar, dizendo que assim os espíritos iam embora. Foram tantas vezes sem resultado que parei de contar o que via, sem contar as diversas vezes que partilhei com meus irmãos e fui muito humilhada e castigada por isso.
No dia em que completei sete anos, vi pela primeira vez “Rainha”, a Lebara que incorporava em meu avô e que me orienta até hoje. Eu estava muito triste, chorando trancada no quarto por não ter recebido nenhum presente nem festa de aniversário e, ainda pior, ninguém sequer lembrou do meu aniversário, de repente percebi a sua presença, senti uma paz incomensurável, eu parei de chorar quando ela chegou perto de mim e me abraçou, dizendo-me palavras de carinho e apoio. Sei que aquele momento foi tão mágico que não o esqueço, tanto que, quando entristeço, lembro-me daquelas palavras que para mim serão eternas, pois me fazem sentir confortada e confiante. Nosso primeiro encontro foi tão maravilhoso que resolvi contar sobre a “Rainha” e os espíritos que eu via. Mesmo ela me tendo alertado de que ninguém acreditaria e de que não era o momento certo, não me contive e contei ao meu irmão Fernando e a uma amiguinha de infância. Eles caçoaram da mim e falaram que quem via espíritos era louco e que eu iria parar num hospício, eu fiquei com tanto medo que comecei a chorar, depois eu pensei: se eles que têm a minha idade não acreditam em mim, um adulto não iria acreditar, resolvi então não contar a mais ninguém.
Com o passar dos anos eu via cada vez mais coisas do mundo etéreo. Olhava para as pessoas e previa o que iria acontecer , mas não pude dividir com ninguém, não foi fácil. Quando tinha oito anos , “Rainha” veio me falar sobre o candomblé, os orixás, fiquei apavorada, não queria mais conversar com ela, pois tinha na minha cabeça que candomblé e orixás eram coisas do mal, ligadas ao diabo, macumbas usadas exclusivamente para destruição das pessoas. Nesta época um dos meus irmãos freqüentava uma igreja evangélica, onde falava-se ser a casa de Cristo e que todos lá estavam protegidos de espíritos maléficos, sendo assim não pensei duas vezes, comecei a seguir com meu irmão, nos primeiros meses tudo correu bem, pois eu não via mais espírito nenhum, “Rainha” não voltou mais. Fiz várias amizades, e me senti protegida, mas com o passar do tempo comecei a perceber que a doutrina pregada pelo pastor, não era na verdade o que os freqüentadores seguiam, existia rivalidade, inveja, mentira e falsidade, não admitiam que os fiéis assistissem televisão, o que eu não queria abrir mão, pois adorava o “Sitio do Pica-pau Amarelo”, a medida que estes fatos me faziam desiludir com essa religião, foi que voltei a ver cada vez mais espíritos, inclusive dentro da igreja.
Logo comecei a ficar doente, desmaiava freqüentemente, por isso minha mãe me levava ao médico, chegava a ficar internada, mas nunca davam um diagnóstico preciso, não se descobria o que eu tinha . Diante disso minha mãe resolveu me levar a um centro de umbanda, lá um caboclo falou a ela que eu não tinha doença material, que meu problema estava relacionado a minha espiritualidade, que estava cada dia mais latente e que eu devia começar o meu trabalho de incorporação e ela não podia mais me impedir, e sim contar-me sobre o pai dela e o que ele havia falado antes de se separar da família, e que lá naquele centro e em nenhum outro poderia fazer nada por mim, pois eu era assistida por grandes espíritos de luz, e que eles estavam encarregados de me ensinarem, devido a minha missão que seria muita grande e bonita.
Após essa consulta minha mãe ficou muito perturbada, pois o caboclo referiu-se a um segredo dela e de meu finado avô, que ela jurou para si que jamais se cumpriria.
O meu avô materno era um africano, que chegou ao Brasil ainda bebê, profundo sabedor das tradições do culto afro. Dentre os vinte e quatro filhos que teve, minha mãe era a única a quem confiava seus segredos. Há mais ou menos uns vinte e cinco anos antes d’eu nascer, meu avô chamou a minha mãe e disse que logo partiria para não mais voltar, por isso já havia pedido aos orixás dela para não virem mais, porque ele não estaria ali para cuidar e não queria que minha mãe ficasse em outras mãos, neste mesmo momento ele revelou à minha mãe que ela teria dezessete filhos, que já havia começado por uma mulher e terminaria também com uma mulher, que seria a herdeira de santo dele (dos orixás). Minha mãe ficou com muito medo, chorou muito e pediu ao meu avô que não deixasse isso acontecer, já que ela achava a vida dele sofrida, repleta de dedicação aos outros e cheia de provações, e além disso, se ele não estaria ali, quem cuidaria dessa criança. Ele respondeu que ela não precisava se preocupar com isso, pois no momento exato os próprios orixás iriam se encarregar de ensinar a doutrina. Algumas semanas depois o meu avô foi embora sem deixar rastro e até hoje minha mãe não sabe quando nem onde, só sabe que ele faleceu. No entanto sua premonição se cumpriu: minha mãe teve dezessete filhos começando por uma mulher e terminando por mim, a única dentre todos seus filhos que segue a filosofia afro, apesar de toda minha família respeitar.
Apesar de minha mãe ter sido lembrada dessa história, foram passando os anos, muitas coisas aconteceram e ela não me contou nada, mas a cada dia a minha espiritualidade crescia. Freqüentei várias religiões, gostava de algumas filosofias, mas não me completavam, sempre achava que faltava algo. Começou a ficar constante a presença da “Rainha”, por quem eu nutria cada vez mais uma grande admiração, pois, em vez de me recriminar por ir a outras religiões, ela me falava não só da beleza mitológica dos orixás, mas também da beleza de outras mitologias, de outras filosofias e de espiritualidade. Em nossos encontros, ela nunca tocou no assunto da última conversa do meu avô com minha mãe, ela me falava da bondade que meu avô tinha no coração, da ajuda ao próximo e do quanto aquilo lhe foi valoroso.
Um dia, devido a problemas materiais e com o que eu já sabia sobre os orixás, resolvi ir a um centro de candomblé com uma vizinha que era filha de santo em um barracão de Angola, em São Vicente. Sem contar nada sobre a “Rainha” e o que eu já sabia, fui consultar-me com sua yalorixá, uma senhora maravilhosa cujo coração era lindo. Quando começou a jogar búzios, ela disse que eu era filha de Oxun e que teria uma missão muito grande, falou do prazer de estar jogando para mim, apesar de não poder falar nada da minha vida, pois eu tinha quem me cuidasse e que no máximo poderia fazer um ebó, para ajudar a abrir meus campos magnéticos (aura), com a consciência de que eu não o faria, disse-me cordialmente que seu barracão estaria sempre aberto para eu visitá-la.
Sai de lá muito feliz, logo ao chegar a casa contei a minha mãe. Depois de ouvir essa minha experiência, ela resolveu me contar sobre sua última conversa com meu avô, e o fato ocorrido com o caboclo no centro de umbanda. Essa revelação me emocionou, mas achei que seria muita responsabilidade cuidar de pessoas e que não estava preparada para assumi-la.
Com o tempo fui aceitando meu desígnio e me interessando pelo assunto, a medida que conversava com a “Rainha” e outros espíritos. Cheguei a visitar o centro de Angola mais algumas vezes. Algum tempo depois fui a um outro centro, cuja nação era Ketu, onde fui bem tratada. Lá a yalorixá disse que eu precisava fazer o santo, apesar dela não me falar nada sobre o meu avô, a minha espiritualidade e os espíritos que eu já recebia e via, decidi ficar lá por algum tempo para ver o que iria acontecer e tentar aprender mais sobre o candomblé no Brasil, mas, por mais bonito que fosse, não fiquei lá também.
Passados alguns anos decidi não freqüentar mais barracão nenhum, não por desgostar, achava bonito e profundo, mas infelizmente, como toda a religião tem o lado positivo e o negativo, algumas pessoas freqüentavam só pelo poder que o espiritual pudesse lhes oferecer, ou por medo, ignorando a beleza e a grandiosidade do que estavam participando. Longe de lançar críticas ao candomblé brasileiro, pois conheci muita gente maravilhosa que sabe o que está fazendo na religião, eu quero deixar bem claro que refiro-me a alguns seres humanos que fazem coisas, mas não buscam ver o verdadeiro brilho delas.
Ciente de meu destino e de posse do conhecimento a mim passado pelos espíritos, resolvi orientar e cuidar com gestos, palavras e até mesmo magia quem precisasse e pudesse ser ajudado, buscando semear a bondade e a humildade, para que a todo dia Olorun me permita crescer e assim poder ajudar sempre mais pessoas. Eu achei melhor me denominar “Yarê”, por achar a palavra “yalorixá” muito forte, pois na minha concepção yá é um ser muito onipotente e eu sou apenas um grão de areia num imenso deserto, mas com muita vontade de me aliar com outros grãos de areia que queiram comigo formar dunas de areia.
Apesar dessa imensa vontade de poder contribuir com meu próximo, eu sentia um vazio dentro de mim, pois eu tinha conhecimento de uma filosofia e uma mitologia tão ricas simbolicamente, que, mesmo procurando falar disso para as pessoas de meu convívio, eu achava que era muito pouco, pois o Brasil, apesar de ser uma terra onde o sangue africano predomina, muitos têm medo dos orixás, desconhecem as suas lendas, alguns chegam até a associá-los exclusivamente com o mal, a extensão do Diabo, quando na verdade não o é.
Orixá é uma palavra em yorubá que significa "espírito de luz", aquele que veio para apoiar, para ajudar, para nos observar em nossa missão. Existe uma teoria yorubá que fala o seguinte: quando o espírito está pronto para reencarnar, ele vê as suas falhas e as suas necessidades de auxilio, assim fica decidido o seu destino, a partir daí decide-se qual o orixá que predominará melhor esse caminho, para apoiá-lo e cobrá-lo nos momentos necessários, assim, conforme o orixá escolhido, determinam-se os traços da personalidade daquele espírito que irá se materializar.
Pensando na grande gama de simpatizantes do culto afro e sem intenção de vender religião, juntei-me ao meu marido, Marco.Obaodun, um apaixonado pelos orixás, e juntos desenvolvemos este site que tem a intenção de difundir nossos conhecimentos a cerco dos orixás.
Sinceramente espero que seja muito proveitoso aos internautas, pois é um site cercado de energias positivas e com intuito de auxiliar e enriquecer a todos que virem a visitá-lo. Que Elegbará, como o orixá que abre todos os caminhos, permita que este site, a cada vez que for aberto, abra um canal de luz pelo qual se permita o autoconhecimento, e traga respostas para as duvidas e paz aos corações aflitos.
Buscar a Deus é marcar um encontro consigo.
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