Os orixás são seres de luz altamente evoluídos, cuja função é nos orientar no sentido de nos encaminhar para a evolução espiritual. Em outras religiões podem receber outros nomes tais como: anjo, santo, mentor, buda, espírito santo, profeta, avatar etc, pois, de acordo com a filosofia do candomblé, que aprendi com os espíritos, todas religiões são uma forma de linguagem que tem o objetivo de alcançar todos os seres vivos.
Os orixás foram os primeiros seres de consciência evolucionária que habitaram a Terra. Eles são os descendentes dos seres magníficos que criaram nosso universo, os Funfuns (seres de mais pura energia).
Em sua passagem pelo planeta, num tempo em que os seres eram compostos de mais energia do que matéria, os orixás viveram diversas aventuras e confusões, onde aprenderam com seus erros e acertos.
O nosso planeta teve que passar por algumas formações, hoje nos encontramos na quarta, nas quais os orixás tiveram várias existências, mas nos atemos à primeira formação quando nos referimos a eles.
Em sua primeira passagem pela Terra, os orixás tinham o poder sobre todas as coisas existentes, mas, devido ao seu comportamento cada vez mais egocêntrico, Olôrún, senhor do nosso universo, decidiu dividir esse poder e deu a cada orixá o poder sobre uma coisa, deixando cada orixá com uma predominância.
Durante a história de nosso planeta existiram muitos orixás, mas falarei apenas dos que predominam no Brasil.
Os Orixás Funfuns são os seres que criaram nosso universo e, por consequência, nosso amado planeta Terra. Podemos citar alguns:

Elegbará nasceu como Eleg, filho de Oxalá com Yemanjá e irmão gêmeo de Ogun. Ele sempre aprontava para chamar a atenção, devido seu ciúme.
Destemido, valente e brincalhão, adorava pregar peças e se envolver em tudo o que acontecia na Terra.
Dotado de grande curiosidade e vontade de viver, ele andou pelos quatro cantos do mundo, buscando descobrir todos os segredos e mistérios que envolviam a nosso planeta.
Eleg era um orixá que, ao mesmo tempo que era amado, era muito temido, pois intimidava a todos com seus olhos, que eram duas bolas de fogo.
Ao contrário de alguns orixás, que ansiavam em ter um reino, fundando nações, ele queria o mundo todo, por isto saía pelas estradas, vivendo aventuras e angariando adoradores em todas as tribos que visitava.
Quando os orixás se recolheram da Terra, ele foi o único que se recusou a acompanhá-los, desafiando Olôrún que, sabedor da importância dele para a humanidade, resolveu criar para ele o plano de Mojuba, intermediário entre o Aiyê (Terra) e o Orún. Por conta disso é que ele sempre deve ser o primeiro reverenciado em todos os rituais, uma vez que, sem ele nada chega ao plano astral dos orixás.
Ele é o protetor dos aventureiros, jogadores e todos aqueles que gostam de viver.

Lebara nasceu como Onira, uma mortal, sacerdotisa maior da tribo de Iansan. Naquela época, os orixás já haviam sido recolhidos da Terra, manifestando-se apenas através da incorporação de seus sacerdotes e sacerdotisas. Cada orixá governava sua própria tribo.
Quando Elegbará a conheceu, apaixonou-se e desejou tê-la para si. Como ela pertencia a outra tribo, precisou fazer um acordo com Iansan: em troca de Onira, permitiria que Iansan visitasse seu plano espiritual, Mojuba, onde nenhum outro orixá havia visitado.
Para levar Onira a Mojuba, Elegbará teve de ceder parte de sua própria energia, transformando-a em uma orixá: Legbára, ou simplesmente Lebara. Até então Elegbará nunca havia cedido nada seu a ninguém.
Ela foi fundamental na transformação de Mojuba, convencendo Elegbará a acolher outros espíritos e colocá-los como servidores de todos os orixás, e não apenas dele.
Astuta, cordial e profundamente sedutora, Lebara comanda a sexualidade feminina, a vaidade e o amor. Esbanjando sensualidade, encanta a todos com facilidade e resolve os problemas amorosos mais intrincados. Envolve-se na vida humana, sendo de grande coração com quem a agrada e respeita, mas tornando-se vingativa com quem a desafia. Vive em busca de alegria, aventura, festa e sexo, sendo a protetora dos cassinos, dos prostíbulos e das mulheres.

Filho de Yemanjá com Oxalá, Ogun é irmão gêmeo de Elegbará, compartilhando com ele a energia primordial da ação, embora a canalize de forma única. É o orixá valente, aquele em cuja espada reside sua vontade e seu destino.
Teve um grande amor com Iansan, fruto do qual nasceu Logun-Edé. No entanto, as constantes batalhas que travaram e o chamado do dever o impediram de criá-lo, marcando sua vida com o preço da guerra.
Ogun é o guerreiro absoluto, o general destemido e estrategista, uma força que existe para vencer. É o desbravador que abre caminhos com a espada, o orixá da evolução tecnológica e do progresso. Como defensor dos desamparados, percorria o mundo assumindo a causa dos indefesos, sempre movido pela justiça e benevolência.
É o ferreiro divino, forjador dos orixás, senhor das armas, dono das estradas e dominador absoluto dos metais. Seu domínio se estende sobre o trabalho, a indústria e todo o progresso que nasce do fogo e da força. Por isso, é o protetor dos policiais, soldados, ferreiros, escultores, caminhoneiros e de todos os que vivem como guerreiros em seus oficiais. É o patrono das Forças Armadas e dos advogados, unindo em seu culto a força da lei e a lei da força, sempre ao serviço da justiça.

Filho da união cósmica entre Iroko e Oduduwa, Oxosse é muito mais do que "O Caçador". Ele é o guardião sagrado da floresta, conhecido por seu cuidado profundo com os animais, especialmente os filhotes órfãos, que recolhia para criar com devoção.
Dotado de uma sensibilidade artística única, era um músico exímio, capaz de encantar todos os seres — dos orixás aos animais — com o toque hipnótico de seu atabaque.
Seu momento de glória eterna veio quando Adjá Odún Aini (Iku), a Morte personificada, estendeu seu domínio de escuridão sobre o mundo. Unidos, os orixás forjaram uma flecha encantada e confiaram-na a Oxosse. Foi ele quem, com precisão e coragem divinas, desferiu o golpe que aprisionou a entidade nefasta e a baniu do planeta, restaurando a paz, a vida e a prosperidade. Por este feito, foi coroado Rei de Ketu, o soberano que venceu o maior dos inimigos.
Oxosse teve em Oxun seu grande e sereno amor. Desta união nasceu Ibeji, o espírito da infância e da travessura, cuja energia era tão grande que causou um grande desequilíbrio no planeta que precisou ser recolhido aos planos superiores. Foi também com Oxun que Oxosse dividiu a criação de Logun-Edé, seu filho amado. A criança foi encontrada por ele à boca da mata, abandonada por Iansan, que partira em seguida a Ogun, seu pai biológico e grande amor.

Oyá, como também é conhecida, é filha de Afefé com Iroko e irmã gêmea de Obá . Sempre foi a gêmea dominante e extremamente protetora.
Gostava de aventura e sempre estava atrás de novas descobertas, para ela o impossível não existia.
Teve como grande amor Ogun , pelo qual enfrentou o desafio de ser mãe, mas logo descobriu que não havia nascido para a maternidade, deixando seu bebê, Logun Edé , na boca da mata para ser criado por seu meio irmão Oxosse , sabendo que sua cria estaria bem cuidada.
Deusa do fogo, dona dos raios, senhora da guerra, é ela quem traz as tempestades e as ventanias para varrerem a maldade humana da face da Terra.
Iansan é aquela que participa de tudo, é vingativa com aqueles que não sabem respeitá-la, porém não mede esforços para agradar quem a reverencia.
Ela é uma das yabás mais conhecida e cogitada nos barracões do Brasil, não é a toa, pois ela merece a nossa admiração.
Protetora dos bombeiros e todas as mulheres guerreiras.

Morador da mata, Ossain é filho de Oxalá com Nanan , foi criado por Aaajá (funfun – senhor da cura universal, não é cultuado no Brasil), tem como irmãos Omolu , Oxumarê e Ewá.
Senhor das folhas e ervas medicinais, é por bênção deste orixá que temos os remédios naturais para a cura ou tratamento de diversas doenças.
Misterioso, não existe melhor maneira de defini-lo, pois ninguém até hoje sabe ao certo qual é o seu sexo, no entanto é tratado como cafião (orixá do sexo masculino). Há quem diga que ele nasceu com os dois orgãos reprodutores.
Protetor dos farmacêuticos, químicos, naturalista e homeopatas.

Obá é filha de Afefé com Iroko. Irmã gêmea de Iansan, ela forma com ela um par de poderosas guerreiras, embora seus caminhos e temperamentos tenham seguido rumos distintos.
Obá sempre foi a Yabacê, a cozinheira sagrada dos orixás. A culinária é sua mais profunda expressão de afeto e cuidado – um dom que ela oferecia com devoção.
Sua vida foi marcada por sombras alheias: primeiro sob o comando da irmã, depois como esposa dedicada de Xangô, o grande rei. Seu ponto de ruptura veio quando Oxun, movida pela rivalidade, a enganou. Obá, buscando segurar o amor de Xangô, cortou a própria orelha e a serviu em um guisado. Ao descobrir a verdade, Xangô, horrorizado, baniu-a do reino.
Sozinha e amargurada, Obá mergulhou em sua dor. Foi nesse exílio que ela realizou sua grande virada: percebeu que sempre vivera para os outros, nunca para si. Dessa amargura, extraiu força. Reencontrou seu poder, não como esposa ou irmã, mas como Obá, uma Yabá completa e soberana – bela, sábia e poderosa em sua própria luz.
É em sua homenagem que no Candomblé todos usam torços que cobrem as orelhas. Esse ato não apenas esconde a marca de sua dor, mas simboliza a igualdade perante o sagrado: todos são iguais, sem distinção, sob os panos. É um gesto de respeito e um pilar filosófico da religião.
Obá é encarregada de enviar luminosidade para aureolar os seres na Terra. Essa não é uma luz comum, mas a luz que emana da superação, da dignidade recuperada, da alma que se ilumina depois da tempestade.
Protetora das cozinheiras, lavadeiras e de todos que sofrem por amor, sua figura acolhe aqueles que, como ela, já doaram demais de si.

Oxumarê é filho de Oxalá com Nanan e tem como irmãos Omolu, Ossain e Ewá (gêmea).
Reza a lenda que, devido a uma punição imposta a Nanan por Oxalá, Oxumarê e Ewá nasceram metade gente e metade cobra. Logo que nasceram foram abandonados pela mãe e acabaram sendo criados por Oduduwa, sua vó.
Mesmo tendo sido abandonado por sua mãe, depois de muito tempo, acabou sendo seu grande companheiro e filho mais próximo de Nanan.
Orixá dos astros, é metade homem e metade cobra, fica no arco-íris purificando o ar que respiramos.
Oxumarê é o orixá que cuida das partes mentais, psíquicas e respiratórias dos seres humanos.
Ele traz consigo muitos mistérios, além de ser o guardião dos planetas do nosso sistema solar.
É o protetor dos profissionais que atuam nas áreas psíquicas, respiratórias e neurológicas, dos que estudam os astros e dos doentes mentais.

Filha de Oórun com Aôrún, Oxun foi criada na Terra por Yfá, seu tio.
Rainha das cachoeiras e rios de águas límpidas, Oxun vive em meio à música das águas, contemplando sua beleza em um espelho dourado – símbolo de sua autoconsciência, vaidade e introspecção. Seu canto é um encanto que acalma e atrai.
Oxun teve em Oxosse seu grande e sereno amor. Desta união nasceu Ibeji , o espírito da infância e da travessura, cuja energia era tão grande que causou um grande desequilíbrio no planeta que precisou ser recolhido aos planos superiores. Foi também com Oxosse que dividiu a criação de Logun Edé, seu filho amado.
Ela é conhecida por seu coração compassivo e seu desejo de ajudar e agradar:
Porém, ela não foi apenas "boazinha". Era uma divindade ambiciosa e extremamente inteligente, que sabe usar sua beleza e charme como ferramentas de poder:
Oxun simboliza, portanto, a força que há na doçura, o poder que reside no encanto e a profunda sabedoria que pode ser tanto nutritiva (como as águas) quanto destrutiva (como a correnteza). Ela ensina que a beleza e a compaixão são formas de inteligência e que o verdadeiro poder sabe ser, conforme a necessidade, suave como a mel ou afiado como o espelho.
Ela é a protetora dos fetos, dos recém-nascidos, das gestantes, ginecologistas e obstetras. Também ampara comunicadores, artistas, todos ligados à beleza estética e, significativamente, os médiuns, devido à sua ligação profunda com a intuição e o mundo espiritual.

Xangô, filho de Aganju com Afefé, é um dos orixás mais poderosos e carismáticos do panteão iorubá. Ele personifica o poder implacável da justiça divina, a autoridade real e o fogo transformador — tanto do trovão que desce do céu quanto das paixões humanas.
Xangô é, antes de tudo, o grande rei. Sua capacidade de governar com mão firme e sabedoria o tornou lendário.
Ele não governa apenas pela força. Ele é um estudioso e estrategista, cuja mente analítica relaciona todas as coisas aos números e aos padrões do universo. É considerado o criador da Numerologia Afro, revelando a matemática sagrada por trás da criação e do destino.
Uma de suas faces mais humanas e reverenciadas é a de grande símbolo de paternidade. Ele fez de tudo por seus filhos: protegeu, amparou e, em ato supremo de legado, criou reinos para cada um, garantindo seu futuro e soberania. Sua generosidade é tão proverbial quanto seu formidável apetite.
Sua vida foi marcada por paixões intensas e relacionamentos complexos com três poderosas Yabás:
Essas uniões não apenas geraram alianças políticas no panteão, mas também ensinam sobre lealdade, paixão, conflito e as consequências das escolhas — mostrando que mesmo um rei de vontade de ferro é movido por um coração humano.
Xangô é o protetor natural de juízes, advogados, promotores, políticos, economistas e todos os que trabalham com justiça, finanças e o poder estrutural da sociedade. Seu axé fortalece aqueles que buscam equilíbrio, retidão e autoridade com responsabilidade.

Ewá é uma das Yabás mais enigmáticas e serenas do panteão iorubá — uma orixá cuja própria existência é marcada pelo abandono, pela perseguição e por uma generosidade silenciosa que transforma a dor em bênção para toda a humanidade.
Ela é filha de Oxalá com Nanan, Ewá carrega em seu sangue a dualidade entre a vida e a morte. Seus irmãos são: Omolu, Ossain e Oxumarê (gêmeo).
Devido a uma punição imposta por Oxalá a Nanan, Ewá e Oxumarê nasceram metade humanos, metade serpentes. Esta forma híbrida, fruto da transgressão e do castigo, fez com que fossem abandonados pela própria mãe ainda recém-nascidos. Foi Oduduwa, sua avó, quem os acolheu e criou, plantando neles muito amor e compreensão.
Quando a Terra foi dominada por Ikú, a própria morte personificada, que espalhava destruição e esterilidade por onde passava, Ewá — profundamente incomodada com tamanho vazio — iniciou sua missão silenciosa: percorria os lugares mortos e, com seu toque, os transformava novamente em terras férteis e cheias de vida.
Ikú, ao descobrir que alguém ousava reverter seu trabalho, passou a persegui-la com fúria implacável.
Amedrontada, Ewá fugiu até encontrar Oxun, que sabendo que Ikú tinha pavor da água — elemento oposto à sua natureza seca e estagnada —, escondeu-a numa gruta atrás de sua cachoeira, um útero de pedra e água onde a morte jamais ousaria entrar.
Em gratidão, Ewá fez um presente sagrado à sua salvadora: dividiu com Oxun seu dom especial de intuição, a capacidade ancestral de pressentir o perigo antes que ele chegue.
Ewá, por sua própria natureza híbrida e pelo destino que lhe foi imposto, não podia ter filhos. Mas sua essência é generosa. Incapaz de gerar, fez algo ainda maior: doou toda a sua fertilidade às mulheres da Terra.Não como mãe, mas como fonte silenciosa. Não como ventre, mas como bênção que flui.
Ela é uma deusa da visão ampla, daquilo que está distante mas pode ser enxergado. Serena, introspectiva, guardiã dos segredos que não precisam ser ditos.
Ewá é a protetora de todas as mulheres com dificuldades para engravidar, das mulheres estéreis, daquelas que carregam no corpo a marca da impossibilidade. Mas não apenas delas.
Ela é também a protetora de todas as pessoas discriminadas — porque ela mesma nasceu diferente, foi abandonada por ser diferente, escondeu-se por ser diferente, e ainda assim encontrou um propósito sagrado. Ewá acolhe todo aquele que já se sentiu rejeitado, deslocado

Iroko é um dos Funfuns cuja existência antecede a própria formação do nosso universo. Sua energia sagrada nasceu da união primordial entre Oduduwa e Tenpyo.
Ele habitou a Terra por incontáveis eras, mas nunca teve um corpo material. Caminhou entre os orixás apenas em sua forma energética.
Algumas lendas contam que Iroko é o responsável direto pelo nascimento das árvores gigantescas, especialmente a gameleira branca. Esta árvore sagrada não é apenas uma planta: é Iroko manifestado no mundo físico. Suas raízes profundas, chamadas de espigão, descem verticais ao centro da Terra com uma função específica e poderosa: sugar toda a energia ruim do lugar onde está plantada. Onde há uma gameleira branca, há um portal de purificação. Onde há Iroko, o solo torna-se sagrado.
Iroko não age com pressa. Ele influi na vida das pessoas como suas árvores crescem: lentamente, silenciosamente, profundamente.
Sua missão espiritual é aprofundar as raízes, sustentar e perpetuar a vida. Através de um amadurecimento gradual, que pode levar anos ou décadas, ele concede ao espírito aquilo que só o tempo pode oferecer: solidez, segurança, estrutura. Ele ensina que a verdadeira força não é a que brota depressa, mas a que se finca com paciência no solo da existência.
Iroko não é um ser de incorporação. Diferente de outros que descem para dançar e aconselhar, ele prefere ficar. Quando ele se manifesta nos búzios, reivindicando o ori de alguém, ele entrega a um de seus filhos Oxosse, Iansan ou Obá.
Iroko é o protetor supremo da natureza, não apenas como ecossistema, mas como força vital que sustenta todas as coisas. Ele é também o guardião da vitalidade humana — aquela energia silenciosa que mantém o coração batendo, a terra girando, as raízes crescendo.
Onde há uma árvore centenária, Iroko esteve.
Onde há uma família que durou gerações, Iroko firmou.
Onde há um ser humano que aprendeu a esperar, Iroko ensinou.

Logun Edé é um dos orixás mais belos, jovens e complexos do panteão iorubá — um príncipe cuja própria existência é tecida por quatro linhagens, quatro amores e quatro reinos. Nele, a guerra encontra a caça, o rio encontra a floresta, e o abandono se transforma em herança multiplicada.
Reza a lenda que Iansan, a senhora dos ventos e das tempestades, observava com admiração e desejo a atenção que Ogun, o grande guerreiro ferreiro, dedicava às crianças. Era um lado seu que poucos viam — doce, cuidadoso, paternal. Iansan, então, decidiu engravidar dele.
Mas Ogun não era orixá de ficar preso. Quando a guerra o chamou, ele partiu, deixando Iansan ainda grávida. Iansan, ela mesma amante da batalha, não hesitou: assim que pariu, levou a criança até a boca da mata e ali a deixou.
Não foi abandono cruel — foi escolha estratégica. Ela sabia que Oxosse, o rei da caça, a quem tanto admirava, encontraria aquele menino e lhe daria o destino que ele merecia.
Oxosse encontrou a criança e, sábio, reconheceu que sozinho não bastava. Procurou Oxun, o seu grande amor, para que o ajudasse na criação. Ela, com seu coração generoso e seu encanto, acolheu o menino como filho.
Assim, Logun Edé tornou-se filho de quatro orixás. Por isso, Logun Edé é ao mesmo tempo caçador e pescador, guerreiro e sedutor, rústico e refinado. Sua natureza é dual, sua essência é múltipla, seu reino é todo lugar onde ele escolhe estar.
Logun Edé é belo. É encantador. É o que chamam, em sua essência mais arquetípica, de cafião — não no sentido vulgar, mas como aquele que sabe seduzir, que atrai por sua presença, que encanta sem esforço. Sua vaidade não é pecado, é instrumento espiritual.
Ele é o senhor da fartura e da fortuna, e seu compromisso é firme: cuidar para que nenhum de seus filhos passe por necessidades materiais. Onde Logun Edé reina, há comida na mesa, ouro no bolso e brilho no olhar.
Logun Edé é o protetor natural dos homossexuais — talvez porque ele mesmo, em sua dualidade de águas e matas, de caça e sedução, de masculino e feminino, transita entre mundos e não se fixa em apenas uma forma de ser.

Ibeji é o orixá que existe eternamente como criança, cuja história nasce do desejo de Oxun por um filho apenas seu e de Oxosse. Luminoso e poderoso, Ibeji encantava a todos, mas sua natureza travessa e seu poder de se subdividir e estar em vários lugares ao mesmo tempo tornavam-no incontrolável. Seus pais foram muito negligentes, acobertando e minimizando seus malfeitos, mesmo sendo alertados por Yfá.
Aos sete anos, seu poder se ampliou tragicamente: ele passou a sugar a energia vital das crianças da Terra, causando sua morte. Diante da revolta dos pais e da iminência de uma guerra, Oxalá, aconselhado por Yfá, tomou a decisão de recolher Ibeji para o Orún, impedindo que tivesse existência completa na Terra.
Como punição, Ibeji permaneceu para sempre com a forma de criança. Mas seu destino se transformou: quando foi criado o plano dos Erês, ele se tornou seu patrono. O mesmo poder que antes consumia foi revertido em proteção e nutrição dos espíritos infantis.
Ibeji ensina que o poder sem limites é perigoso, que amar exige também conter, e que a inocência não isenta de responsabilidade. Acima de tudo, mostra que quem parte cedo pode se tornar guardião da própria infância que não viveu — uma criança eterna que nos ensina a brincar, perdoar e lembrar da pureza que um dia tivemos.

Nanan foi escolhida pelos Funfuns para povoar a Terra junto com Oxalá. Ela era mimada e muito vaidosa, depois de engravidar, teve uma gestação complicada, onde se maldizia todos os dias. Assim o bebê nasceu todo cheio de doença. Desgostosa, abandonou seu filho no pântano, pois sabia que Oxalá não passaria por lá, e mentiu para ele, dizendo que a criança havia morrido. Oduduwa recolheu o bebê e o criou numa redoma energética longe de todos outros orixás com receio que Nanan pudesse encontrá-lo e machucá-lo. Assim o chamou de Obaluaiyê (O Senhor da Terra).
Obaluaiyê achava que era sozinho no mundo, mas quando rompeu a redoma, descobriu que havia muitos outros, no entanto sua forma física assustava quem o via. Por isso ele evitava o contato com as pessoas e caminhava somente a noite.
Certa feita, Obaluaiyê encontrou um outro orixá mortalmente ferido, Ogun, e começou a cuidar dele. Quando O enfermo se recobrou e deu conta que alguém aproveitava a escuridão para cuidá-lo. Assim fez uma grande amizade com Obaluaiyê, mesmo sem vê-lo. Apenas sentindo sua energia amorosa.
Já curado, Ogun o seguiu pela escuridão e descobriu onde ele se escondia. Ao amanhecer foi vê-lo. Quando vislumbrou seu amigo, Ogun ficou horrorizado,mas antes de qualquer outra reação adversa, lembrou e se apegou aos momentos bons que teve com ele. Assim a imagem que viu perdeu a importância. A primeira vista Obaluaiyê se chateou, mas Ogun conseguiu convencê-lo a se mostrar. Assim nasceu a amizade entre estes dois orixás.
Ogun desenvolveu um amor tão grande por seu novo amigo, que decidiu levá-lo para o reino e apresentá-lo a todos orixás. Obaluaiyê abominou a ideia. Mas Ogun conseguiu convencê-lo. E para deixá-lo confortável levou-o até Oxun, para decidir como fazer.
Oxun decidiu fazer uma roupa para ele, cobrindo-o todo de palha da costa, para deixá-lo confortável a frente de todos orixás.
Durante o Candomblé, união de todos orixás. Obaluaiyê foi apresentado e ali descobriu-se toda farsa de Nanan. Obaluaiyê revoltou-se, correndo o mundo espalhando doença e miséria.
Depois de perceber toda desgraça que causou, procurou se redimir amparando os doentes e miseráveis.
Médico dos pobres, senhor absoluto de todas as doenças de pele e infecciosas.
Protetor dos desamparados, humildes, doentes e médicos.

Poucos orixás carregam uma história de transformação tão profunda quanto aquele que nasceu Obaluaiyê e, através da dor e do autoconhecimento, tornou-se Omolu. Sua trajetória é a própria metáfora da cura: do veneno que espalha ao remédio que acolhe.
Obaluaiyê veio ao mundo como filho de Oxalá com Nanan, herdeiro de duas linhagens poderosas. Mas sua origem foi marcada pela mentira e pelo abandono. Criado longe da verdade, ele um dia descobriu que fora rejeitado pela própria mãe — e que toda a sua existência havia sido construída sobre uma farsa.
Tomado pela fúria e pela dor do rejeitado, Obaluaiyê revoltou-se contra o mundo. Seu poder, antes contido, espalhou-se como peste: doenças, miséria, sofrimento — ele carregou a Terra com aquilo que sentia por dentro.
Mas a desgraça que provocou tornou-se seu espelho. Ao ver o rastro de dor que deixava, Obaluaiyê reconheceu-se no outro. E decidiu se redimir.
Tornou-se um andarilho. Sem casa, tendo o céu como teto, caminhou pela Terra conhecendo outros orixás, outras histórias, outras dores. Aprendeu que não era o único a carregar peso — que cada ser carrega sua própria cruz, sua própria ferida, seu próprio abandono.
Caminhando, ele descobriu algo fundamental: não existe um vilão na história. Todos, à sua maneira, sofrem. Todos, à sua maneira, fazem sofrer. A dor não é monopólio de ninguém — e o perdão também não.
Foi essa descoberta que o transformou.
Decidiu, então, que não seria mais chamado de Obaluaiyê — "O Senhor da Terra". Percebeu que não era dono de nada, nem sequer de seu próprio destino. Era, como todos, apenas mais um filho da Terra. Passou a se chamar Omoluaiyê — "O Filho da Terra" — ou, simplesmente, Omolu.
Sua ruptura foi tão profunda, sua transformação tão radical, que ele decidiu que sua história deveria servir de exemplo para sempre. Por isso, até hoje, responde pelos dois nomes:
Como Obaluaiyê - jovem, vigoroso e impulsivo;
Como Omolu - velho, sábio e paciente.
Em ambas as formas ele é leal, fraterno, generoso e criativo. Mas ele tem duas faces marcantes: pode ser tanto a doença quanto a cura.
Ele é o médico dos médicos. Protetor dos pobres, dos enfermos e todos aqueles que trabalham com a medicina.

Tenpyo é um Funfun, cuja origem nos remete ao início dos tempos, quando ainda nem existia nosso universo. Ele é irmão de Yfá, Oórun, Aganju e Aaajá. Ele é um dos que caminhou pela Terra apenas em forma de energia.
Ele é responsável pelo movimento o que inevitavelmente o consagrou como o Senhor da cronologia e da meteorologia.
Também conhecido por gentilheiro, Tenpyo é muito respeitado dentro do candomblé, pois todos os barracões precisam tê-lo assentado e representado por uma bandeira branca.
Sendo ele a força da natureza, comanda com Oxumarê o ar que respiramos e os gases que nutrem os vegetais, caminha com Oxosse e Ossain para zelar a natureza e é companheiro de Omolu, ajudando-o a espalhar as doenças epidêmicas.
Ele também é o responsável pelas catástrofes que assolam a Terra, as quais vêm advertir a humanidade que precisam zelar pela natureza e não dominar a sua força.
Protetor do reino vegetal e da atmosfera.

Nanan foi o primeiro orixá a ser gerado na Terra, a primeira encarnada, ela é filha dos Funfuns Pavenan e Oduduwa. Sua criação estava vinculada a povoação do novo mundo, juntamente com Oxalá, seu grande amor.
No entanto sua gestação foi muito traumática o que fez seu filho nascer imperfeito, o que ajudou na sua imediata rejeição, culminando no abandono da criança. Além disso ela mentiu pra Oxalá, dizendo que o filho havia morrido.
Quando sua farsa foi descoberta, Oxalá a baniu, isolando-a no mesmo lugar onde ela havia abandonado Obaluaiyê, no pântano. Exilada Nanan alimentou todos os sentimentos ruins: mágoa, tristeza, ressentimento e muito mais, transformando-a numa pessoa amarga e vingativa. Daí ela fez muitas coisas ruins.
Embora essa passagem de sua vida a tenha levado aos límites da insanidade. Sua história tornou-se a mais bela de todas, sua transformação é um exemplo inigualável, uma vez que ela se transformou da mais vil criatura a mais doce e generosa de todas, abdicando de tudo o que tinha em favor dos outros.
Além de Obaluaiyê, Nanan ainda teve mais três filhos com Oxalá: Oxumarê, Ewá e Ossain. Todos foram abandonados por ela.
Deusa das chuvas, senhora da morte e da transformação, é encarregada de encaminhar os espíritos para reencarnação.
Nanan tornou-se um dos orixás mais temidos, tanto que em algumas tribos, quando seu nome era pronunciado, todos se jogavam ao chão.
Ao contrário de alguns barracões, Nanan só incorpora e é feita em mulheres, e quando toca para ela só as iaôs (filhas de santo) é que dançam.
Senhora das doenças cancerígenas, está sempre ao lado do seu filho Omulu.
Protetora dos idosos, desabrigados, doentes e deficientes visuais.

Yfá é um Funfun cuja peculiaridade energética o permite estar em todos os cantos do universo ao mesmo tempo, no entanto é o único que não deixou descendentes no planeta Terra. Mesmo assim caminhou no Aiyê em forma energética e foi o responsável pela criação da sua sobrinha Oxun, a pedido de seu irmão Oórun.
O Oráculo, como também é conhecido, é os olhos de Olôrún no universo e seu grande conselheiro.
Além de Oórun tem como irmãos Tenpyo, Aganju e Aaajá.
Ele é um funfun de grande fundamento, pois é o guardião de todos os segredos e mistérios, cargo confiado por Orunmilá.
Escolhido para predominar em todos os jogos divinatórios, Yfá tem até um com seu nome, que só pode ser jogado por homem, já o delogún (jogo de búzios) não tem distinção.
Todos os videntes têm que ser iguais a Yfá, jogar, ouvir, aconselhar e guardar segredo, pois deve ser uma cerimônia de muita confiança, entre o vidente e o consulente.
Protetor de todos os videntes e consulentes.

Olodumarê teve três filhas, também conhecidas como as "Centelhas de Olodumarê": Oduduwa, Afefé e Oloxun.
Oduduwa é a Funfun responsável pela criação da matéria sólida. Resa a lenda que, durante a criação, ela apostava com suas irmãs quem mais criaria, mas como era a mais lenta, o planeta foi mais preenchido com água, que era função de Oloxun, do que terra. Dizem que nos lugares onde ela parava para descansar surgiam grandes montes.
Na ciração da vida, ela era a responsável pela criação material dos Obís (as sementes da vida).
Em sua passagem pelo planeta Terra, apaixonou-se pela vida criada tanto dos vegetais, quanto dos animais e acabou sendo conhecida também por "Mãe Natureza".
Oduduwa caminhou pela Terra em sua forma energética e mesmo assim foi responsável por criar muitos orixás, dentre eles: Obaluaiyê, Oxosse, Oxumarê e Ewá.

Filha de Orunmilá com Oloxun, teve como grande amor Oxalá, com quem teve seus dois filhos (Eleg e Ogun) e teve ainda muitos outros adotivos.
Orixá de grande respeito, foi reconhecida por todos como a mãe de todos os orixás (simbolicamente), pois ela acolhia a todos que a procuravam e a todos que necessitavam, por isso todas as nações a veneram, estendendo o titulo para mãe de todos os mortais também.
Muitas pessoas têm devoção por Yemanjá, que é lembrada por todos aqueles que vão à praia. Quando chega o final do ano, vemos as praias cheias de gente para homenageá-la e agradá-la com doces, flores, perfumes e outras coisas.
Com sua pureza e sabedoria, predomina nos lares, para que haja a paz espiritual, ameniza as dores e sofrimento das mulheres na hora do parto.
Por ser um orixá de grande magnificência e doçura, e que todos nutrem amor e admiração.
Protetora da família e dos deficientes.

Durante a grande guerra que os orixás travaram contra Iku, a Morte, Ogun foi ferido no campo de batalha e ficou à mercê do inimigo. Ao saber disso, Yemanjá exigiu que Oxalá salvasse seu filho. Ele, no entanto, resistia em entrar na guerra, pois não podia derramar sangue nem tirar a vida de ninguém.
Diante da hesitação do amado, Yemanjá — que até então jamais havia empunhado uma espada — decidiu ir ela mesma ao combate. Transformou seu pente em uma lâmina afiada e seu espelho de mão em um escudo reluzente. Deixou as profundezas do mar e partiu para a guerra. Foi assim que nasceu sua qualidade guerreira e destemida: Yemanjá Gunitá.
Quando Oxalá percebeu que sua amada havia partido, entendeu que não tinha mais escolha. Como não podia usar uma espada nem ser visto em um campo de batalha — pois era venerado como o orixá da paz e da união —, precisava de uma solução. Decidiu então transformar-se em uma forma jovem. Seu velho e sábio cajado transmutou-se numa pesada mão de pilão, seu grande porrete, e num escudo de proteção. Assim equipado, partiu para o front, determinado a salvar tanto Ogun quanto Yemanjá.
Essa ruptura foi tão profunda e marcante que deu origem, ali mesmo, a um novo orixá: Oxaguian, o grande guerreiro branco, o estrategista que luta pela justiça sem derramar sangue, a faceta de Oxalá que sabe que às vezes a paz precisa ser conquistada.

Antes da formação do planeta Terra, Olôrún, o Ser Supremo, princípio energético do nosso universo, designou seu filho Obatalá para comandar o processo da criação. Mas a tarefa trazia um desafio: Obatalá não poderia descer com sua totalidade energética — sua plenitude era grande demais para caber em um mundo em formação. Assim, ele fez algo sublime: desprendeu uma pequena parte sua e a enviou à Terra.
Essa fração energética, pura e primordial, recebeu o nome de Orixá N'lá — o "orixá presente", aquele que ali estava para testemunhar e conduzir o nascimento do mundo.
Quando, mais tarde, surgiu a necessidade de encarnar para povoar o Aiyê (a Terra), essa centelha tornou-se Oxalá. O nome mudou, mas a essência permaneceu: a mesma pureza, a mesma autoridade, a mesma origem divina.
Oxalá sempre foi o ser mais poderoso do planeta. Não por acaso: sua energia era a mais antiga, a mais próxima da fonte, a mais pura de todas. Como governante supremo, ele tinha um poder absoluto: extinguir qualquer orixá que desequilibrasse a energia do Aiyê.
Ele era o juiz final, o equilíbrio personificado, aquele que podia apagar uma existência para salvar o mundo.
Mas todo poder pode ser abalado. Durante a grande guerra que abalou os orixás, Ikú usou suas artimanhas mais sombrias: semeou a discórdia entre todos os orixás, virando uns contra os outros, alimentando-se da energia do conflito.
Quanto mais os orixás guerreavam, mais Ikú se fortalecia. Seu plano era tornar-se o ser mais poderoso da Terra, e por um tempo, quase conseguiu.
Oxalá, enfraquecido pela desarmonia que tomara o mundo, viu seu poder diminuir. A discórdia era o veneno que o silenciava.
Quando a paz foi finalmente restabelecida, Oxalá pôde se recompor. Lentamente, sua energia primordial voltou a brilhar. Ele retomou seu posto de governante supremo — mas agora com uma missão adicional:
Trabalhar para que nunca mais nenhum orixá conseguisse repetir os feitos de Ikú.
A lição foi aprendida: a discórdia enfraquece a todos. A união é a única blindagem contra o caos e a destruição.
Oxalá é o governante supremo do planeta Terra e o orixá máximo do Candomblé. Não há quem não o admire, não há quem não o respeite. Ele é:
O senhor da paz, que acalma as tempestades entre os homens e os orixás;
O ministro do axé, aquele que distribui e equilibra a energia vital por todo o universo.
Oxalá teve vários filhos com Nanan: Omolu, Oxumarê, Ewá e Ossain; e com Yemanjá, Ogun e Eleg.
Oxalá é o protetor da paz universal, não como conceito abstrato, mas como força ativa que mantém o mundo em equilíbrio. Ele é o percursor da união e do respeito entre os homens — aquele que nos lembra que, vindos da mesma centelha, somos todos parte do mesmo tecido sagrado.
Onde há conflito, Oxalá sussurra concórdia.
Onde há desrespeito, Oxalá planta sementes de reverência.
Onde há escuridão, Oxalá é a lembrança de que a luz primordial ainda existe — dentro de cada um, esperando para brilhar.
Buscar a Deus é marcar um encontro consigo.
Lebara Rainha
Mestra do Curso de Energias Cósmicas
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